Dia das Aeronaves Rotativas na Força Aérea Brasileira.

 

República do Congo, Africa, região de Katanga. O país estava no auge de uma grande guerra civil, iniciada após a independência da Bélgica. Grupos rebeldes lutavam pelo controle do país, rico em reservas minerais, atraindo mercenários de diversos países e servindo de pano de fundo entre a Guerra Fria Estados Unidos e União Soviética. Neste contexto, a ONU realizou uma missão de paz, que durou até o ano de 1964, que entre outros países teve a participação da Força Aérea Brasileira .

Neste ano, no dia 03 de fevereiro, um helicóptero a serviço da ONU, modelo Sikorski H-19, pilotado pelo Tenente Ércio Braga, sofreu uma pane mecânica enquanto transportava 4 freiras, realizando com sucesso um pouso de emrgência, em local próximo a guerrilheiros. Um segundo H-19, pilotado pelo Tenente Milton Naranjo realizou o resgate dos tripulantes e freiras, debaixo de disparos feitos pelos rebeldes. Esta foi a primeira missão real de resgate em combate ( C-SAR ) realizada pela FAB. Os helicópteros eram tripulados pelos seguintes militares: Tenentes Ércio Braga e Milton Naranjo e os Sargentos João Martins Capela Junior e Wilibaldo Moreira Santos. Por este feito, a Força Aérea comemora esta data como o Dia da Aviação de asas Rotativas. Gratidão eterna a estes combatentes!

A grande versatilidade de uma aeronave de asas rotativas permite que ela realize uma grande variedade de missões. Sua capacidade de vôo pairado/baixa velocidade lhe permite atuar na observação e controle de ações no solo, como em tragédias ou ações policiais e ainda controle de eventos diversos. Esta mesma capacidade também oferece a possibilidade de pousos em locais de difícil acesso, seja para resgate de pessoas ou transporte de suprimentos, sendo um dos mais importantes veículos de apoio em ações humanitárias, podendo ser também uma ambulância aérea. No âmbito militar atua no transporte de cargas e pessoal, ataque a tropas, veículos e blindados, missões de infiltração e exfiltração, C-SAR e outras missões especiais, sendo considerada uma insubstituível arma de guerra.

Texto: Reinaldo Neves

Nota: O autor tem um grande prazer em discorrer sobre a matéria, pois foi tripulante de UH-1H no 5/8 Gav, em Santa Maria – RS, entre 1983 e 1987. Na foto do UH-1H, da esquerda para a direita: Sgt Ajalla, Ten Lengler, Ten Roberto, Sgt Jairo, Sgt Viana Guedes e Sgt Reinaldo ( autor )